quinta-feira, 18 de novembro de 2010

POEMA DO ARCEBURGUENSE AUSENTE

Você criança, moleque de calças curtas, das ruas empoeiradas de Arceburgo.
Nadou no espraiadão, antes que o progresso, fizesse nascer a piscina municipal.
Estudou no Grupo Escolar "Cel. Lucas Magalhães", ou capinou café nas nossas fazendas.
Brincou de cowboy nas terras do  Filipinho.
Ou quem sabe, participou das brigas coletivas, da turma da várzea com a palha.
Lembra-se das fofocas do meio-dia, nos bancos do caramanchão, onde a gente colocava as conversas em dia.
Comeu pipoca, pé de moleque, bebeu quentão na barraquinha do Dário.
Quantas vezes acompanhou os carros de boi; ou os caminhões pipa que molhavam as ruas empoeiradas de Arceburgo.
Rezou no cruzeiro em época de seca.
Quando adoecia era tratado pelo Dr.Herculano e o remédio preparado pelo Sr.Sátyro Coelho.
Cresceu, aprendeu a dançar na elegância da Brasília, ou na simplicidade da Goiânia.
Ficava assistindo as partidas de sinuca no bar do Silvino, ou ia ver o jogo de bochas no bar do João Gaio e, levava um pito por ser de menor. Foi com a namoradinha no cine São João ou no Bayjão, seu primeiro beijo.
Jogava bola de meia no campo da Associação, ao voltar cansado, e com sede, encontrava o Sr. Paulo Mussarra que lhe oferecia um guaraná ou sodinha, de graça.
Acompanhava folia de Reis, sentou no banco de madeira que ficava na porta do C.L.R.A., vendo as moças descer e subir, enquanto na janela do clube uma sonata tocava Nelson Ned.
Brincou de salva, bate caixão, de circo.
Lembra-se das Olimpíadas de férias.
Lembra-se das madrugadas, quando enfeitava a estátua do Candinho, após os bailes.
Saiu um dia de Arceburgo, rumo ao Estado de São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, sei lá...
Qualquer lugar deste Brasil, para estudar ou trabalhar, deixando para trás a singela cidadezinha encravada num ponto das Minas Gerais.
Você Arceburguense Ausente, médico ou enfermeiro, engenheiro ou pedreiro, economista ou escriturário, patrão ou operário, não importa!
Porque hoje é seu dia.

Ademir Carosia
24.06.1992
Festa de São João


Caramanchão do Jardim da matriz

 Artur Anacleto, do futebol, treinou várias gerações, da fanfarra com imensa paciência ensina até hoje, das sementes, das árvores, dos cães e gatos principalmente os abandonados nas ruas, das crianças, sempre brinca com elas, da música, tem bom gosto, do cinema, da cidadania, odeia lixo pelas ruas, vive catando e colocando-os nas lixeiras, amigo, respeita todos......resumo....alegre....bondoso.

O engraxate Kainã, meu afilhado,(aqui ele pousou de engraxate) relembrando por um momento aquilo que fiz na minha infância para ajudar na despesa da casa, graças a DEUS isto me fez mais gente.

6 comentários:

  1. Przado Ademir...
    Fico emocionado em ler esta sua cronica....passei parte de minha infancia em Arceburgo, e seu bem do que fala...tenho isto guardado em minha memøria.
    Um Grande e Fraterno Abraço
    Sergio FidelisRodrigues
    Sáo Bernado do Campo-Sp

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  2. Nossa Ademir cheguei a chorar de emoção lendo esse poema.
    Tenho apenas 31 anos,mais fiz algumas dessas estripulias que vc cita no poema.
    Me sinto feliz por fazer parte da população e de ser uma Arceburguense.Lembro muito bem do Sr.Artur sempre simpático com todos,sempre com um sorriso no rosto!! Uma graça de pessoa.Nossa fiquei bastante emocionada mesmo,pois me fez lembrar da minha infância um pouco triste por alguns fatos que ocorreram qd pequena,mais ao mesmo tempo feliz por estar ao lado de pessoas queridas,como familiares que amo tanto.Vale lembrar que esse pequenino,o Kainã que vc cita na foto é meu sobrinho lindo que amo tanto!!! Confesso que fiquei emocionada com essa foto,não sabia que ele tinha sido engraxate.
    Enfim,é muito bom lembrar das nossas origens.Obrigada por proporcionar essa alegria.
    Saiba que vcs fizeram parte dessa infancia,a Dona Sueli,como nós chamáva-mos,foi minha professora quando criança.
    Que Deus abençoe vc e sua familia.

    Parabénssssss Ademir,um forte abraço.

    Marcia Cristina Anacleto (tia do Kainã...rsrs)
    Tucuruvi - São Paulo/SP

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  3. Relembrar é viver. Sua narração ficou ótima! Quando escrita em 1992, ainda não existia redes sociais e hoje poder dividir com quem viveu no passado, de uma forma descomplicada e simples de entender. Parabéns pela pessoa que tu és hoje. O trabalho que fez você crescer como gente, para muitos ao contrario, é vergonhoso e humilhante.

    Que Deus lhe abençoe!!!

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